sorrateiro
caminho
ora sozinho,
ora muito bem acompanhado.
ela me disse sim
eu também.
já caminhei,
já procurei,
já pedi,
já, já,já, cansei de asneira!
quarta-feira, setembro 05, 2007
Black Gold
A cidade esta viva, num ir e vir frenético, ele pulsa e demonstra, pisca o olho ao desavisado,
seu perfume é velho, e o novo cheiro, que sai das novas casas, tem algo de podre.
A aventura urbana, na aventura humana.
Lutas, conspirações, farras, carnavais, silêncio, cachorros, um apito ao longe dissipa a névoa.
As intrigas dos conspirados,
o cheiro das chamines,
a risada ironica do rio,
mostrando suas vergonhas e as nossas imundices a qualquer um.
o gato estava no telhado,
manco foi pelo muro,
vai-e-vem,
irou,
miou.
Que miada!
maritacas loucas,
viram-se,
gritam-se,
amam-se,
olham-se e
não me deixam dormir...
subo e olho o olho da lua
ela me olha
e diz
viu...
seu perfume é velho, e o novo cheiro, que sai das novas casas, tem algo de podre.
A aventura urbana, na aventura humana.
Lutas, conspirações, farras, carnavais, silêncio, cachorros, um apito ao longe dissipa a névoa.
As intrigas dos conspirados,
o cheiro das chamines,
a risada ironica do rio,
mostrando suas vergonhas e as nossas imundices a qualquer um.
o gato estava no telhado,
manco foi pelo muro,
vai-e-vem,
irou,
miou.
Que miada!
maritacas loucas,
viram-se,
gritam-se,
amam-se,
olham-se e
não me deixam dormir...
subo e olho o olho da lua
ela me olha
e diz
viu...
sábado, setembro 01, 2007
Cruzes no campo...
SALVE SÃO JORGE!
ORAÇÃO A SÃO JORGE!
EU ESTOU VESTIDO E ARMADO COM AS ROUPAS E AS ARMAS DE SÃO JORGE,
PARA QUE OS MEUS INIMIGOS TENHAM PÉS E NÃO ME ALCANCEM,
TENHAM MÃOS E NÃO ME TOQUEM,
TENHAM OLHOS E NÃO ME VEJAM,
E NEM MESMO EM PENSAMENTO ELES POSSAM ME FAZER MAL.
ARMAS DE FOGO O MEU CORPO NÃO ALCANÇARÃO.
FACAS E ESPADAS, SE QUEBREM SEM O MEU CORPO TOCAR.
CORDAS E CORRENTES, ARREBENTEM SEM O MEU CORPO AMARRAR.
AMÉM!
Sai Urucubaca, sai saci...
ontem estava feliz... uma realização, uma conquista, uma vitória, uma perda, um vazio que se perfaz.
Um ícone da minha infância, meu héroi particular, que em terras distantes lutou, matou, quase morreu, por ideais que ele mesmo desconhecia...
todas as lembranças de um Avô vieram na minha cabeça...hoje pela manhã... recebi a triste notícia que ele.. morrera..
Aos 87 anos, com uma saúde sustentada a um cálice de vinho no almoço e uma laranja de sobremesa, ele morreu.
Não pela idade, não pelo coração que resistiu o inverno nas escarpas nevadas do Monte Castelo sobre fogo intenso de metralhadoras ou na função de batedor entrando me vilas de mortos e morte, com uma sub-metralhadora nas mãos...
Morreu de uma das formas mais brutais de morrer: Atropelado por um ônibus, um maldito ônibus, que corria para não perder a merda do horário....
O velho era forte o bisa morreu com 90 e tantos... foi para o HPS, resistiu por mais 3 horas a fratura na cervical, a hemorragia, ao impacto sobre um corpo fragilizado de idoso....
De quem é a culpa... do maldito motorista... do maldito prefeito... ou de um velhinho com a mobilidade reduzida e com os sentidos "fracos"....
Tenho um ódio mortal, uma coisa entalada, um grito, não consigo ver meu avô morto por esses idiotas...
pela política de mentirinha, pela propaganda enganosa, por esse monte de semi-analfabetos que assumem cargos, postos, direções sem serem adestrados o suficiente, símios grotescos, esboços rejeitados da imundice humana que temos que dar a descarga...
Hoje me tornei imensamente rico, uma riquesa inumeravel, da lembrança, força, opção de vida, revolta, indignação, um novo vulcão entrou em erupção sob o Equador.
Devemos sempre valorizar aqueles que estão do nosso lado, aqueles momentos mágicos que fazem nossas vidas algo único e inesquecível, obrigado. Sebastíão Agostinho por ter sido o que foi pra mim, Perdoe Senhor as dezenas de vidas que ele tirou, que Deus o Tenha em Bom lugar...Eternamente do seu ...
ORAÇÃO A SÃO JORGE!
EU ESTOU VESTIDO E ARMADO COM AS ROUPAS E AS ARMAS DE SÃO JORGE,
PARA QUE OS MEUS INIMIGOS TENHAM PÉS E NÃO ME ALCANCEM,
TENHAM MÃOS E NÃO ME TOQUEM,
TENHAM OLHOS E NÃO ME VEJAM,
E NEM MESMO EM PENSAMENTO ELES POSSAM ME FAZER MAL.
ARMAS DE FOGO O MEU CORPO NÃO ALCANÇARÃO.
FACAS E ESPADAS, SE QUEBREM SEM O MEU CORPO TOCAR.
CORDAS E CORRENTES, ARREBENTEM SEM O MEU CORPO AMARRAR.
AMÉM!
Sai Urucubaca, sai saci...
ontem estava feliz... uma realização, uma conquista, uma vitória, uma perda, um vazio que se perfaz.
Um ícone da minha infância, meu héroi particular, que em terras distantes lutou, matou, quase morreu, por ideais que ele mesmo desconhecia...
todas as lembranças de um Avô vieram na minha cabeça...hoje pela manhã... recebi a triste notícia que ele.. morrera..
Aos 87 anos, com uma saúde sustentada a um cálice de vinho no almoço e uma laranja de sobremesa, ele morreu.
Não pela idade, não pelo coração que resistiu o inverno nas escarpas nevadas do Monte Castelo sobre fogo intenso de metralhadoras ou na função de batedor entrando me vilas de mortos e morte, com uma sub-metralhadora nas mãos...
Morreu de uma das formas mais brutais de morrer: Atropelado por um ônibus, um maldito ônibus, que corria para não perder a merda do horário....
O velho era forte o bisa morreu com 90 e tantos... foi para o HPS, resistiu por mais 3 horas a fratura na cervical, a hemorragia, ao impacto sobre um corpo fragilizado de idoso....
De quem é a culpa... do maldito motorista... do maldito prefeito... ou de um velhinho com a mobilidade reduzida e com os sentidos "fracos"....
Tenho um ódio mortal, uma coisa entalada, um grito, não consigo ver meu avô morto por esses idiotas...
pela política de mentirinha, pela propaganda enganosa, por esse monte de semi-analfabetos que assumem cargos, postos, direções sem serem adestrados o suficiente, símios grotescos, esboços rejeitados da imundice humana que temos que dar a descarga...
Hoje me tornei imensamente rico, uma riquesa inumeravel, da lembrança, força, opção de vida, revolta, indignação, um novo vulcão entrou em erupção sob o Equador.
Devemos sempre valorizar aqueles que estão do nosso lado, aqueles momentos mágicos que fazem nossas vidas algo único e inesquecível, obrigado. Sebastíão Agostinho por ter sido o que foi pra mim, Perdoe Senhor as dezenas de vidas que ele tirou, que Deus o Tenha em Bom lugar...Eternamente do seu ...
sexta-feira, agosto 31, 2007
Dias importantes da nossa vida..
Certa vez perguntei qual foi o dia mais importante na vida de minha mãe, ela me disse que foi quando eu e minha irmã nascemos....meu pai tambem disse a mesma coisa, e completou quando ele nasceu de novo após uma complicadissima cirurgia que fez no cérebro...Minha vida foi um pouco tumultuada, bem tumultuada, tumultuadissima....Minha infancia foi dentro de um megacondomínio fechado vertical e modernista em SCS, lá viviamos o milagre econômico visto pelos olhos dos metalurgicos, algo que talvez hoje, seria transformado num drama de suburbio-crime-violência, foram mágicos aqueles dias, aquela época distante e nostálgica.
Minha mudança para Juiz de Fora foi traumática, não queria ir para aquela cidade, aquele povo de fala estranha, aquele prédio, feio e mofado....o contato com meus avós maternos diminuiram o trauma dos primeiros momentos...minha nova escola tinha tradição e qualidade, meus novos colegas; como eu vinham das mais diversas cidades, porem do êxodo rural. Eu vinha do anti-êxodo...
Anos passaram, amigos, amores, skate, reggae, hardcore, metal, punk, choro, samba, mpb, diskman, camelinho, milhões de papos, cervejas, festas, ficadas, fins-de-noite que não acabavam nunca...
Vestibular... Não tive a oportunidade de fazer o que gostava, sonho da época que consegui pegar umas ondas...Oceanografia, curso distante, mas não impossível...
Comunicação UFES, nova vida, sol, praia, garotas, falta de dinheiro....go back Juiz de fora....
Vestibular... Fiquei na rabeta... Arquitetura e Urbanismo...
Lembro que no dia que escolhi o curso... estavam trocando a fiação dos poste da Av. Rio Branco, e por uns instantes a Engenharia elétrica ou Cívil, dançaram com o doce perfume de sua sedução cruel frente as minhas aspirações do que faria durante a minha vida... Arquitetura e Urbanismo... não sabia bem o que era...
Niemeyer, meus avós, que da forma deles também fizeram suas construções com o espírito da época, com materiais, com o sonho e a intenção de produzir algo habitável e humano...código 33, segunda opção código 24. Arquitetura ou Engenharia Cívil. o jogo estava lançado numa manhã fria de novembro do ano de 98....
O primeiro dia na faculdade, parecia cada vez mais longe, os anuncios na rádio-praia em Piúma, deixaram-me atordoado.... Eles começaram a ler todos os aprovados (depois de Cabo Frio, Piúma e Iriri/ES, são redutos de Juizforanos de férias).
Na época namorava a Marcela e estava com sua irmã que acabara de ser aprovada em Educação Fisica; lembro-me em pedir uma cerveja "prá comemorar" e engulir aquela derrota... mas não desanimei, peguei nos correios um papel do instituto universal brasileiro e começei a fazer o curso de desenho arquitetônico... era curioso e dramática minha atuação..
A primeira aula foi no ICE, encontrei-os juntos como gado acuado no matadouro, pessoas que deveria passar 5 anso de faculdade.. Gostei de ver 5 mulheres para cada rapaz era uma matemática que muito me agradava...
Havia umas meninas bem bonitinhas, e pensei: já é...o trote foi sádico como eu esperava, nada de mais...nem lembro direito só lembro de um palitinho e a minha felicidade de passar para uma colega lindinha... a facul é algo curioso... vc aprende mais na cantina e nas viagens do que na sala, a cantina, a biblioteca, o bar e as reuniões dos trabalhos moldaram minha geração de profissionais. milhares de quilometros de esboços, croquis, e perspectivas em guardanapos, toalhas de mesa, e papeis desviados a tal fim...
Durante a facul, vi meninas se transfomando em mulheres, peruas, bruacas; garotos, em homens, profetas, automatos, ou lunáticos... Um imenso laboratorio de vida e de transformação.... Vivi com os melhores, piores, e a sombras de nossa época... mas chega o dia do ... -Vai lá meu filho! e te dão uma folha meio transparente, com os dizeres de sua nova profissão...
nesse dia havia perdido minha carteira em Tiradentes, durante a mostra de cinema... protelando por dois meses minha saida...
cheguei, subi a sala do pró-reitor, mais três ou quatro..um juramento e a tal folha estava em minhas mãos...
A vida de profissional num país como o nosso beira o desespero, tudo e todos os impostos, nenhum incentivo ou orgão de encaminhamento de empregos ou projetos, um mundo do cão e da selvageria, Engenheiros, pedreiros, mestres, desenhistas, arquitetos, não-seis, se acotovelando, se esmagando mutuamente por um lugarzinho que seja... 2 anos de aperto, lutas, clientes, bons e ruins... Chega!
- Ano que vem serei funcionário-público, profetizei na virada do ano na minha terra natal..como um ciclo que se fechava ...voltará eu de onde havia saído, e agora punha um objetivo claro do que seria minha nova escolha, um novo marco, um novo rumo...
começo a me dedicar, a estudar, vem o primeiro, segundo... terceiro.... começa a vir os resultados...12º, 4º, 2º...passei...
A ansiedade de esperar um resultado, pode proporcionar desde de uma dor-de-cabeça a uma dermatite...que foi meu caso... Yoga, Respiração, Oração, tudo prá espantar a ansiedade...
o melhor de tudo é ver seu nome na lista...na boa lista é claro....
Hoje o vi, estava lá com meus novos companheiros de trabalho, um após o outro..
Estou numa felicidade misturada com ceticismo, pois o objetivo era claro...Agora vem o dia de amanhã...mas isso é uma outro história..
segunda-feira, agosto 27, 2007
O Dia em que Oscar Niemeyer encontrou Dois Bêbados
-Vc, quem são vcs... o velho interroga
-Eu sou o senhor ontem...o bebado invoca
-Deus me livre, eu não acredito em Deus , mas credo...o velho retoca
-pode crê...o outro bebado entorta
-Ê aí... o velho pipoca
-Queremos conversar...o bebado tenciona
-Vamos seu Oscar..o segurança questiona
-Somos estudantes, de Minas ...o bebado leciona
-Marca com a Vera...o velho e a matrona
-É ...o bebado emociona
sobe o velho e o segurança sobra os bebados e a esperança...até hoje um dos bebados lembra desse fato curioso...
-Eu sou o senhor ontem...o bebado invoca
-Deus me livre, eu não acredito em Deus , mas credo...o velho retoca
-pode crê...o outro bebado entorta
-Ê aí... o velho pipoca
-Queremos conversar...o bebado tenciona
-Vamos seu Oscar..o segurança questiona
-Somos estudantes, de Minas ...o bebado leciona
-Marca com a Vera...o velho e a matrona
-É ...o bebado emociona
sobe o velho e o segurança sobra os bebados e a esperança...até hoje um dos bebados lembra desse fato curioso...
domingo, agosto 26, 2007
Vida de Estagiário..
Sempre quis ser um profissional competente, aprender com quem sabia os segredos e o "caminho das pedras" da minha profissão, e deparar com desafios como degraus de uma escada longa da carreira..
Durante a faculdade comecei a estagiar cedo, pois o ensino é sucateado e te dá uma visão limitada do mundo, você apenas está vendo pelo ponto de vista do professor e de alguns autores e nada mais. Fiz estágios em orgãos públicos e em empresas privadas e abaixo relaterei um causo:
Nos idos de 2004, o então Prefeito pôs em pratica a reforma administrativa, aos olhos de quem estava de fora do processo parecia que estavamos no caminho certo.... Eventos como a palestra de nada menos que um dos responsáveis pela transformação de Barcelona... Plano de Desenvolvimento Estratégico...
A empolgação estava no ar, um conhecido meu havia conseguido um estágio na Diretoria de politica urbana, via QI; Usando da mesma desculpa, liguei para a prefeitura na maior cara de pau e disse que eles tinham uma vaga para mim e fulano que tinha me indicado...Batata..
segunda-feira eu começaria no Centro Regional Centro...
Na época meu visual universitário beirava o trash... tinha um cabelo black-power... cavanhaque... roupas largas e tenis vermelho...
Chegada a segunda... Eram duas da tarde, subi as escada da repartição e me dirigi aos boxes da Supervisão técnica, lá minha chefe-imediata me esperava, converçamos sobre minhas responsabilidades e fui conhecer meus superiores, o Diretor da Regional e o Supervisor, pessoas integras e que desempenhavam bem os seus papéis..
Fui tomar um cafezinho na copa e me deparei com os fiscais ... eles ao me verem esperavam cada um em sua cadeira pelo "cabeludo", que fosse pedir alguma muamba que eles haviam apreendido... nada passei ao largo e fui ao meu box...Os fiscais se levantaram e me seguiram com olhar...no próximo café fui interrogado por milhões de boas-vindas e de onde vc vem...
O trabalho numa nova divisão da prefeitura era algo estranho, não tinhamos autonomia para nada e parecia que estavamos numa engrenagem nova, de uma velha maquina, encaixavam bem mas ninguem sabia para que servia... Eu tinha que levantar as demandas das comunidades e fazer pequenos projetos de intervenção para futuras execuções.. tinhamos as associações de moradores e o jornal do município como fontes, o trabalho era necessário porém pouco valorizado, pelo detentores de recursos da máquina administrativa....
Aos poucos fui vendo que só a supervisão dos aspectos urbanos, em realidades que as construções é que necessitavam de ajuda...Mexendo em antigos projetos me deparei com um projeto dos anos 40-50 da prefeitura; casas operárias/proletárias... projetos prontos aos menos favorecidos... achei os projetos ultrapassados, mas a idéia atual e me propuz a atualizar a idéia, não com o formalismo das plantas e sim do projeto adaptado a realidade do morador, durante um mês pus-me a vetorizar e criar maquetes virtuais dos novos projetos...montei um folder aos interessados e enviei aos detentores de recursos a idéia repensada...(espero até hoje o retorno)
Dias passaram e nada, então minha superiora dividiu comigo a tarefa de analisar os projetos para aprovação na nossa regional, pois o serviço chegava a acumular 3 meses de espera.
Peguei o código de obras do município li e começei a interpletar os projetos com a luz da lei, vi como os projetistas, não entendiam nada de distribuição espacial, organizavam plantas num jogo de aperta-encolhe, como se a vida de seres humanos fosse não a finalidade daqueles projetos e sim um mero detalhe no scale do AUTOCAD, projetos que deveriam levar a cadeia quem os fez e quem os encomendou... minhas críticas foram exteriorisadas em apenas um projeto que rejeitei...
Era um prédio de três pavimentos a ser construido no meu bairro; dois quartos, sala,cozinha e área conjugada por unidade, quatro unidades por andar. O terreno era de uma antiga cas com quintal, espaçosa e humana.
O projeto começou errado, não levou em conta os afastamentos, as dimensões mínimas de cada cômodo, tinha um foso com lugar para iluminaçãoe e ventilação, na minha mão estava um código de obras que teve sua origem os melhores cõdigos europeus e que tinha as medidas mínimas para uma vida com o mínimo de dignidade.
Diferentemente da minha superiora, peguei um marca texto vermelho e tracei os afastamentos, os raios, as medidas mínimas, o resultado final ficou entre o surrealismo e o cubismo, uma prancha toda redesenhada. Peguei o carimbo e bac... rejeitado. Fechei o processo e coloquei na minha nova pilha sobre a mesa da minha chefe.
Na manhã do outro dia... Um Nossa.... estridente encheu os corredores da repartição, o choque de ver aquilo deixou-a perplexa... Imediatamente ligou para o proprietário e marcou a tarde... Duas horas chego, como todo dia; sento, ligo o computador, levanto, vou ao café volto, e me deparo com o processo aberto sobre minha mesa, e o olhar de agradecimento misturado com o horror de minha chefa...
-Anderson, era mais ou menos assim, mas não com tanta dedicação..
Chefa,interrompo:
-Marque com o proprietário que eu explico, tudo tudo ao interessado;
-ele já deve estar chegando.Ela me diz.
Entra um senhor distinto, bem arrumado, porém fedia como se não tomasse banho a meses, sou obrigado a entrar com ele na sala de reuniões, um aquario no meio da repartição sem circulação de ar:
-Meu senhor, é um prazer conhece-lo e tenho uma má e uma boa notícia..
-Ora, esse projeto já está em análise à quase 6 mese e nada...
-Então vamos a boa, o Sr. terá uma nova chance de fazer o projeto, com qualidade e com um profissional competente, aguardamos anciosos a nova entrada...
- Mas eo antigo...
Abro a pasta do processo, abro as pranchas dobradas, o parecer da análise e começo...
-Na minha vida como profissional nunca vi tantas barbaridades num unico projeto, não existe nenhum parâmetro construtivo dentro da legislação municipal, creio eu que quem fez isso deve ser preso por exercício ilegal da profissão...
Seu olhar há horror, um ódio começa a tomar conta de sua face e o cheiro fica insuportável...
-Aquele filho da puta daquele projetista me cobrou R$3000,00 pelo projeto...Grita ele..
- O barato pode sair caro...
minha chefe entra pelo grito do cidadão...
-tudo bem aqui...
olho para ela e pisco, ela entende e sai..
-Faça projetos com que entende, procure um arquiteto...
ele se levanta, pega o projeto, olha prá mim e diz:
-Obrigado meu filho, vou fazer é um estacionamento do terreno..
Começo a rir, volto ao meu boxe e recebo uma nova missão visitar comunidades carentes...(essa é uma outra história...)
quarta-feira, agosto 01, 2007
Marretadas
Quando era pequeno, ouvia nas minhas férias em Juiz de Fora, uma sinfonia de marretadas proporcionadas num fazer cotidiano de obras que não acabavam nunca..Aquele som unisonoro, repetitivo, seguia um compasso misterioso, de acordes quem não poderia entender...
Marretadas que reconstruiam eternamente os desejos dos homens...marretadas que punham abaixo uma outra era.Aí se foram o moderno, o eclético, o colonial, considerados ultrapassados trocados pela nova estética do feio.
Em São Paulo, São Caetano do Sul, o som que me intrigava era o oposto aos que ouvia em JF, ouvia ao longe betoneiras que roncavam o crescimento da metropole, roncos suaves e contínuos de um crescimento que me fez boquiaberto na minha ultima viagem, como tudo mudou...
Quando sai de SCS para JF, nunca imaginaria que aqueles sons se cruzariam o ronco que nunca soube o que era e as marretadas tão presentes, como poderia eu, tornar-me o senhor-do-destino de lembraças concretas, tijolos-vidas, que ao som da marreta se tornam fraguimentos, ruídos da existencia, entulho de memória, nada para amanhã ou apenas suor daqueles anonimos, automatos do fazer.
Como maestro, minha orquestra é organizada, tenho a posição certa de cada instrumento e a hora certa de cada toque... construo a composição, me perco no devaneio de saber que na marretada há o ruído de nossa era: da alienação, da loucura, da banalidade, da cacofonia, e assim vou regendo o caos e o apocalipse, a loucura e saber que as intensões já encheram o inferno, e estão superlotando a terra...
As marretadas deveriam ser defragadas contra atitudes, que me chocam, e não contra modos de vida ditos ultrapassados , mas que me mostram o caminho contra a feiura...
Marretadas que reconstruiam eternamente os desejos dos homens...marretadas que punham abaixo uma outra era.Aí se foram o moderno, o eclético, o colonial, considerados ultrapassados trocados pela nova estética do feio.
Em São Paulo, São Caetano do Sul, o som que me intrigava era o oposto aos que ouvia em JF, ouvia ao longe betoneiras que roncavam o crescimento da metropole, roncos suaves e contínuos de um crescimento que me fez boquiaberto na minha ultima viagem, como tudo mudou...
Quando sai de SCS para JF, nunca imaginaria que aqueles sons se cruzariam o ronco que nunca soube o que era e as marretadas tão presentes, como poderia eu, tornar-me o senhor-do-destino de lembraças concretas, tijolos-vidas, que ao som da marreta se tornam fraguimentos, ruídos da existencia, entulho de memória, nada para amanhã ou apenas suor daqueles anonimos, automatos do fazer.
Como maestro, minha orquestra é organizada, tenho a posição certa de cada instrumento e a hora certa de cada toque... construo a composição, me perco no devaneio de saber que na marretada há o ruído de nossa era: da alienação, da loucura, da banalidade, da cacofonia, e assim vou regendo o caos e o apocalipse, a loucura e saber que as intensões já encheram o inferno, e estão superlotando a terra...
As marretadas deveriam ser defragadas contra atitudes, que me chocam, e não contra modos de vida ditos ultrapassados , mas que me mostram o caminho contra a feiura...
terça-feira, julho 24, 2007
S,M,A,T,N,C,I,O,B,´,-,F,R,E,U,Z
SOBRE
SÓ
SOME
SOM
SOBRE
SOME
SÓ
SOB
SUBSTANCIA DO VAZIO
SOFRE
SÓ
SOME
SOB
SOM
SÓ
SOM
SUBSTANCIA DO VAZIO
SOB
SOM
SOFRE
SÓ
SOBRE
SUBSTANCIA DO VAZIO
SUBS(SOFRE)TANCIA DO SÓ-VAZIO
SOB-SOBRE O VAZIO
SUB-SOM
SOFRE
VAZIO
SOME
SOM
SÓ
S
SÓ
SOME
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SUBSTANCIA DO VAZIO
SUBS(SOFRE)TANCIA DO SÓ-VAZIO
SOB-SOBRE O VAZIO
SUB-SOM
SOFRE
VAZIO
SOME
SOM
SÓ
S
domingo, julho 22, 2007
ARQUITETURAR
ARQUITETURAR
CERCAR O VAZIO, RECRIAR O MUNDO,
COBRIR AS CABEÇAS, PROTEGENDO-AS.
CERCAR O CHEIO
TAMPAR AS ESTRELAS
OU AS VER DE OUTRA FORMA
CERCAR O VAZIO, RECHEA-LO.
O RECHEIO, VAZIO É
NO VAZIO NOVO SE FAZ
O CHEIO HUMANO
O RECHEIO HUMANO
O VAZIO HUMANO SE FAZ:
CERCANDO O VAZIO , PARA
RECHEA-LO
HUMANIFICAR O VAZIO
HUMANIZA-LO, RECRIA-LO,
CERCANDO; EM CIMA, AOS LADOS,
EM BAIXO.
FLUIDOS SÃO NECESSÁRIOS: CANAIS
SÃO PRECISOS - AGUA, LUZ, AR.
RASGOS SÃO FEITOS
NO QUE CERCA,
SÃO CRIADOS VAZIOS
RECHEADOS OU SÓ VAZIOS
E O HOMEM?
RECHEA O VAZIO CERCADO
E A ARQUITETURA?
CERCA VAZIO RECHEADO
CERCAR O VAZIO, RECRIAR O MUNDO,
COBRIR AS CABEÇAS, PROTEGENDO-AS.
CERCAR O CHEIO
TAMPAR AS ESTRELAS
OU AS VER DE OUTRA FORMA
CERCAR O VAZIO, RECHEA-LO.
O RECHEIO, VAZIO É
NO VAZIO NOVO SE FAZ
O CHEIO HUMANO
O RECHEIO HUMANO
O VAZIO HUMANO SE FAZ:
CERCANDO O VAZIO , PARA
RECHEA-LO
HUMANIFICAR O VAZIO
HUMANIZA-LO, RECRIA-LO,
CERCANDO; EM CIMA, AOS LADOS,
EM BAIXO.
FLUIDOS SÃO NECESSÁRIOS: CANAIS
SÃO PRECISOS - AGUA, LUZ, AR.
RASGOS SÃO FEITOS
NO QUE CERCA,
SÃO CRIADOS VAZIOS
RECHEADOS OU SÓ VAZIOS
E O HOMEM?
RECHEA O VAZIO CERCADO
E A ARQUITETURA?
CERCA VAZIO RECHEADO
QUE CIDADE É ESSA...
QUE CIDADE É ESSA...
AGLOMERADO DE GENTE,
CARNE BARATA, CHEIROS, GOSTOS, AMORES,
QUE CIDADE É ESSA
ENVERGONHA OS ANTIGOS
PERIGO PRESENTE
FUTURO INCERTO?
QUE CIDADE É ESSA
AGONIA
SUICÍDIO
MORTE
MORTE...QUE CIDADE É ESSA?
COM SUA FOICE TRAÇOU OS CAMINHOS,
COM SUA CAPA FEZ ECLIPSE?
COM O SEU OLHAR
GELA AS ALMAS DOS HOMENS?
QUE CIDADE É ESSA?
SONHO?
DELÍRIO?
FESTAS?
ONDE ESTA SEUS GUARDIÃOS?
AS PORTAS RANGEM
SEM DONOS,
ENQUANTO O SEGUNDO, MINUTO
DESFAZ O MUNDO PERFEITO...
QUE CIDADE É ESSA
QUE SONHAMOS COM ELA,
SUA DERROCADA FINAL
E SUA QUEDA?
QUE SONHOS SÃO ESSES...
QUE CIDADES É ESSA?
por Anderson Agostinho
quarta-feira, julho 18, 2007
Dialogo maroto
-Olá, tudo bem, como vai a família..
-tudo bem só se for para você..
-que cara de comeu-e-não-gostou..
-PÒ tò indignado..
-faço concurso sem parar..e tem concurso um atrás do outro..
-São canalhas os organizadores de concursos
-foda-se, nasci, cresci, agora tenho que me virar..
-Certa vez, você me disse que estavamos na era do invertar emprego..
-chup-chup, cachorro-quente ou churrasquinho
-Sua mãe-de-perna-aberta
-é está na hora de você para de olhar para esse espelho..
-Vai estudar vagabundo..
-tudo bem só se for para você..
-que cara de comeu-e-não-gostou..
-PÒ tò indignado..
-faço concurso sem parar..e tem concurso um atrás do outro..
-São canalhas os organizadores de concursos
-foda-se, nasci, cresci, agora tenho que me virar..
-Certa vez, você me disse que estavamos na era do invertar emprego..
-chup-chup, cachorro-quente ou churrasquinho
-Sua mãe-de-perna-aberta
-é está na hora de você para de olhar para esse espelho..
-Vai estudar vagabundo..
segunda-feira, março 26, 2007
chefe Seattle
Carta escrita em 1854 pelo chefe Seattle ao presidente dos EUA, Franklin Pierce, quando este propôs comprar as terras de sua tribo, concedendo-lhe uma outra “reserva”.
O Grande Chefe de Washington nos fez parte do seu desejo de comprar a nossa terra.
O Grande Chefe nos fez parte da sua amizade e dos seus melhores sentimentos. Ele é muito generoso, pois bem sabemos que ele não parecisa da nossa amizade em troca.No entanto, nós iremos considerar a sua oferta, pois sabemos que se não vendermos, o homem branco virá com os seus fusís e tomará a nossa terra.
Mas como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo.
A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho. Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro e o homem – todos pertencem à mesma família. Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar a nossa terra, pede muito de nós. O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós. Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar às suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo.
O murmúrio das águas é a voz do pai do meu pai. Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos, e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam um irmão.O homem vermelho sempre recuou diante do homem branco, como a bruma das montanhas foge diante do sol nascente. Mas as cinzas dos nossos pais são sagradas Os seus túmulos são uma terra santa. Assim, estas colinas, estas árvores, este recanto de terra são sagrados aos nossos olhos. Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita.
A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto. Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda. Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto.
Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreenda. O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo.
O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro – o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém.
O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados. Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir.
Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.
O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo. Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. Isto sabemos: a terra não pertence ao homem.
O homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Todo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.
Mas nós iremos considerar a sua oferta de ir para a reserva que destinam ao meu povo. Viveremos afastados e em paz. Que importa onde passaremos o resto dos nossos dias? Nossas crianças viram os seus pais humilhados na derrota. Nossos guerreiros conheceram a vergonha. Depois da derrota, passam os dias em ócio e sujam seus corpos com comidas doces e bebidas fortes.
Que importa onde passaremos o resto dos nossos dias? Já não são muitos. Mais algumas horas, alguns invernos, e já não restará nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram outrora nesta terra, ou que vagam pelos bosques, em pequenos grupos; nenhum deles estará presente para chorar sobre os túmulos de um povo outrora tão poderoso, tão cheio de esperança como o vosso. Mas porque chorar sobre o fim do meu povo?
As tribos são feitas de homens, não mais. Os homens vêm e vão, como as ondas do mar. Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos – e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra. Mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e feri-la é desprezar seu criador.
Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos. Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnados do cheiro de muitos homens, e a visão das colinas maduras para a colheita obstruída por fios que falam.
Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. O que significa dizer adeus ao pônei ágil e à caça? É o final da vida e o início da sobrevivência. Guardem na memória a recordação deste país, tal como está no momento em que o tomam. E com toda a sua força, todo o seu pensamento, todo o seu coração, preservem-no para os seus filhos, e amem-no como Deus nos ama a todos. Assim, iremos considerar a sua oferta de comprar a nossa terra. E se aceitarmos, será para estar seguros de receber a reserva que nos prometeram. Lá, talvez, poderemos terminar as breves jornadas que nos restam a viver segundo os nossos desejos. E quando o último homem vermelho tiver desaparecido desta terra, e que a nossa lembrança não for mais do que do que a sombra de uma nuvem flutuando na planície, estas margens e estas florestas abrigarão ainda os espíritos do meu povo. Pois eles amam esta terra como o recém-nascido ama o batimento do coração da sua mãe.
Assim, se nos lhes vendermos a nossa terra, amem-na como nós a amamos. Tomem conta dela como nos o fizemos. Nós sabemos de uma coisa: nosso Deus é o mesmo Deus. Ele ama esta terra. O próprio homem branco não pode escapar ao destino comum. Talvez sejamos irmãos.
Veremos
quarta-feira, março 07, 2007
essa é boa
Da série Cultura Noir
O interrogatório
- Eu quero ligar pro meu Advogado.
- Vai ligar. O que o sr. é?
- Arquiteto
- O que o sr faz?
- Eu adorno fachadas conforme as tendências da moda.
- Como assim?
- Negócios de curto prazo.
- O que vai acontecer a longo prazo?
- Todos os prédios vão ficar fora de moda
- Sei. E aí?
- Daí vão refazer a fachada conforme as tendências da moda.
- O sr. só muda a fachada?
- Só a fachada. Tem um cigarro?
- E dentro?
- Tudo igualzinho.
- O sr quer dizer que dentro não sai de moda?
- Pior. Sai de uso.
- Como assim?
- O senhor tem quarto de empregada?
- Tenho.
- Ela dorme lá?
- Eu não tenho empregada.
- Posso ligar pro meu advogado?
- E as pessoas não reclamam?
- O senhor reclama?
- Eu faço as perguntas aqui
- Mas não na hora de comprar o apartamento não é? A sua mulher acha que as colunas no meio da sala ornam com a cristaleira,e isso é tudo. O telefonema...
- Você conhece minha mulher?
- De certa forma; você tem um american bar, mas não bebe; recebe visitas numa sala minúscula e toda vez tem que ficar buscando cadeira na sala de almoço, que vive às moscas porque seus filhos almoçam na frente da TV, num cubículo que se tornou insalubre desde que entregaram o sofá novo, com regulagem pra inclinar e não pode ficar encostado na parede; você tem bidê?
- Escute aqui eu não sei como você sabe tudo isso ou entrou na minha casa, mas vai ter que...
- Eu não entrei na sua casa, nem na de ninguém; eu só adorno fachadas.
- E porque é que você não entra então que diabos!!! Sim eu tenho um bidê, e uma banheira,e não servem pra nada!!!
- Sinto muito, isso não dá dinheiro. Já tentei até, juro; mas as pessoas não entendem nada de arquitetura, vivem em lugares com divisões anacrônicas, equipamentos inúteis e móveis inadequados. Elas gostam disso. Um dia tive essa revelação: as pessoas não querem viver confortável e racionalmente, elas querem uma cenografia adequada ao papel que elas representam;o máximo que elas precisam é de um retoque na maquiagem, esse é o grau de exigência. E é isso que eu faço com a fachada delas. O senhor vai me dar o meu telefonema ou eu...
- Pode ir.
- Hein?
- Pode ir. Eu já tenho as respostas que eu queria. Só mais uma pergunta...
- Ah, sim, o que é?
- O que eu faço com aquele maldito sofá???
O interrogatório
- Eu quero ligar pro meu Advogado.
- Vai ligar. O que o sr. é?
- Arquiteto
- O que o sr faz?
- Eu adorno fachadas conforme as tendências da moda.
- Como assim?
- Negócios de curto prazo.
- O que vai acontecer a longo prazo?
- Todos os prédios vão ficar fora de moda
- Sei. E aí?
- Daí vão refazer a fachada conforme as tendências da moda.
- O sr. só muda a fachada?
- Só a fachada. Tem um cigarro?
- E dentro?
- Tudo igualzinho.
- O sr quer dizer que dentro não sai de moda?
- Pior. Sai de uso.
- Como assim?
- O senhor tem quarto de empregada?
- Tenho.
- Ela dorme lá?
- Eu não tenho empregada.
- Posso ligar pro meu advogado?
- E as pessoas não reclamam?
- O senhor reclama?
- Eu faço as perguntas aqui
- Mas não na hora de comprar o apartamento não é? A sua mulher acha que as colunas no meio da sala ornam com a cristaleira,e isso é tudo. O telefonema...
- Você conhece minha mulher?
- De certa forma; você tem um american bar, mas não bebe; recebe visitas numa sala minúscula e toda vez tem que ficar buscando cadeira na sala de almoço, que vive às moscas porque seus filhos almoçam na frente da TV, num cubículo que se tornou insalubre desde que entregaram o sofá novo, com regulagem pra inclinar e não pode ficar encostado na parede; você tem bidê?
- Escute aqui eu não sei como você sabe tudo isso ou entrou na minha casa, mas vai ter que...
- Eu não entrei na sua casa, nem na de ninguém; eu só adorno fachadas.
- E porque é que você não entra então que diabos!!! Sim eu tenho um bidê, e uma banheira,e não servem pra nada!!!
- Sinto muito, isso não dá dinheiro. Já tentei até, juro; mas as pessoas não entendem nada de arquitetura, vivem em lugares com divisões anacrônicas, equipamentos inúteis e móveis inadequados. Elas gostam disso. Um dia tive essa revelação: as pessoas não querem viver confortável e racionalmente, elas querem uma cenografia adequada ao papel que elas representam;o máximo que elas precisam é de um retoque na maquiagem, esse é o grau de exigência. E é isso que eu faço com a fachada delas. O senhor vai me dar o meu telefonema ou eu...
- Pode ir.
- Hein?
- Pode ir. Eu já tenho as respostas que eu queria. Só mais uma pergunta...
- Ah, sim, o que é?
- O que eu faço com aquele maldito sofá???
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