sábado, novembro 01, 2008
quarta-feira, outubro 15, 2008
Escrevo por que não quero conversar com vcs,
vcs são tão chatos,
intimamente chatos,
naquela conversinha fiada,
melhor é eu buscar outra saída.
Não posso escrever minha solidão,
mas remediala,
não quero beber,
bem, penso, melhor tomar um golinho,
talvez você ache normal,
eu prefiro a solidão
a compartilhar a demagogia e falsidade.
Essa noite está quente,
não vejo mais TV,
ela quebrou...
quase morri de tanto beber água contaminada de mentiras,
é melhor eu beber algo
minhas palavras confundem as pernas
e meu olhar se perde, desmancha,
funde-se na noite que vai linda coberta de lua,
repleta de lua,
lua de meus amores,
perdidas no tempo.
A noite traz o veneno da fábrica
Que paira sobre os párias,
Que envenena o menino
Que mata o velinho
Que me faz detestar as vezes esse lugar
Olho o cheiro da morte,
Como impotente que sou
Não posso levantar questões
Pois os cãozinhos que me cercam
lambem as mãos
de quem os condena a cegueira de tudo ver
o sentido da estrada que te leva vai ao contrário do meu,
vou embora para tangamandápio
ver o jaiminho, o sorriso e o beijo
deixo vc aqui com sua sina
sua cruz de reclamações, perda de tempo e egoísmo
minha mão está no bolso
já que posso te tocar nos sonhos que terei
nua, pele, olhos, boca
fundem-se
fundem-se
eu
pele
boca
olhos
pêlos
arrepio
olhos
boca
vc
nua
bunda
perna
ombro
osso
boca
eu
nu
pêlos
boca
nua
pele
pele
boca
boca
nu
nua
arrepio
sorrisos
boca
ufa!
quinta-feira, outubro 02, 2008
Eleições 2008
tenham noção da responsabilidade,
ao votarem!
Não está perto o fim dos quatro anos consequentes,
dos dois digitos ou dos cinco,
eles,
se mal escolhidos,
caminharão na sombra das trevas,
se bem,
os portões do céu,
para vc,
se abrem,
o caminho das trevas é mais curto,
seu resultado, mais rápido?
no espelho o funebre
o vento leva as folhas,
ao longe surge a manhã de outono,
o vento
o sol
o frio
4 anos..
dia 5 será a escolha dos 4,
entretanto dois e todos,
que se mal escolhidos,
provocam tragédias...
estragos
fraudes
roubo
2 podem destruir a vida de vários,
muitos, centenas, milhares.
que responsabilidade!
um poder, único, anônimo, coletivo e difuso.
ideologia, projeto, metas
crença e aceitação
milhares escolhendo poucos
imensos responsáveis dos destinos de todos.
Quase uma negação plena da responsabilidade individual
a aceitação de determinado grupo em determinado tempo na organização do espaço, realizações e taxações da vida civilizada, na sociedade que estamos.
Essa confiançe é o simbolo maior do pacto entre os invíduos de suas responsabilidades e sua relação com todos.
então, domingo acorde,
tome um belo café,
leia a parte das piadas do jornal
e vá votar,
segunda sua vida vai continuar a mesma,
daqui 4 anos conversamos, beleza?
quarta-feira, outubro 01, 2008
terça-feira, agosto 05, 2008
Carta ao Silvio de Podestá
Caro Silvio, venho por meio desta, trazer a tona meu questionamento sobre a possibilidade do encrustamento do seu cristal em meio ao filito e arvores do horto dos contos de ouro preto.
A arte, a obra de arte, é e deve ser algo que exprima a alma do gênero humano, a genialidade e a busca de algo que seja sublime, ou que revele uma nova forma de olhar velhas verdades. A sua busca é gloriosa e seus feitos são notáveis, mas houve algo que atrapalhou... a arte é feita para a arte ou é feita para o gênero humano?
O seu cristal ao lado do monólito niemeyerano, como o pingo-asterisco abaixo do travessão que o refaz numa exclamação em meio ao pastiche e o fake. É o grito do novo, é uma busca de ar em meio à atmosfera enevoada do passado tão bem copiado.
Contudo não é ouro preto, não passou pelos olhares, pelo imaginário, não seduziu o povo ou as autoridades. Numa atitude cosmopolita surgiu sem pedir licensa e sem se apresentar, aonde deveria estar o bom-dia, chegou com a seriedade de uma carranca-de-vai-de-retro.
Meu caro, sei que vc tentou, lutando contra os moinhos de vento que só giram ao sabor daquela brisa carioca que por tanto tempo reinou e reina nos ares mineiros e que seria seu vizinho, brisa sólida que marca em alvenaria azul e branca o panorama da cidade que em outros tempos foi defendida pelos amigos e que deveria significar algo bom, não sabe pra quem, mais dizem que significou.
Peço que volte, venha tomar um café com os mortais, mostrar aos anônimos o novo, como um artista de rua que vende seus poemas, mostre as novas palavras necessárias, mostre seu discurso coerente e sua fala fácil.
Talvez vc não se lembre das vezes que conversamos, da cerveja e da cachaça, ali vi quem era esse arquiteto da capital, dono de editora e tal, profissional talentoso e necessáriamente engajado.
Às vezes o não é para fazer com que o sim tenha mais sentido, pois o não cria a possibilidades, a contestação só será valida se o argumento convencer, a mim e a quem quer que passe pelo diamante que só brilhará para poucos.
O moinho continuará girando após a brisa do mar, com o sobro dos morros, dos vales e talvez do horizonte.
segunda-feira, julho 21, 2008
inferno astral
mas
meu presente
é duro
não reservo mais nada
apenas ar, água e vida
A depressão é necessária?
A morte pode ser uma saída?
Romantismo de seres afetados que não tem o que fazer?
Fazer o quê?
Egoísmo ao extremo,
dar fim a algo que dá sentido pra tudo,
até para o que não tem sentido?
Hoje,
descobri que me tornei algo melhor.
Morri.
Morri para vc, pra todos....
para vcs,
estou morto,
vivo e morto
ao mesmo tempo
mortinho,
sou o melhor cadáver
que conheço,
pois tomei consciência disso
no inicio
de meu inferno astral
hades, amom, cramunhão
...como eles,
trafego no submundo
Tornei-me imortal
A carne não alterou o sabor
A pele continua perfeita
A morte vem do passado...
...do escuro
...da mentira
...de vcs que dançam
...com ela todos os dias
e não escondem seus fios de prata de suas trevas tão causticantes
A morte não mais me atinge
sua foice não mais me encosta,
ela, eu prendi no espelho,
na dor e no calendário
Não quero conversar com ninguém,
não sei que força me suga,
não sei por que vou.
no pôr-do-sol me sinto roubado,
minha vida sem sentido, ou razão.
Volto para minha casa,
Não quero conversar com ninguém,
nem olhar pra nada,
tranco-me
com as idéias novas, saudades e um vazio.
Sísifo mostrou-me a minha sina, contudo a pedra é outra,
talvez mais pesada,
pois leva a cada dia minha juventude.
Frente aos desejos divinos da estrutura antiquada da dominação,
nos rostos imundos dos algozes do povo,
apenas cosméticos de luxo.
A cada dia aproximamos mais da derrota de muitos,
da perpetuação da mentira,
do gerundismo e
da hipocrisia.
Caminho,
todo o dia em direção ao sol e ele foge de mim,
deixando apenas a lembrança do calor, do éter e do fim.
Levanto com o sol,
não posso dele usufruir,
Quem sou eu? um verdugo?
Um criminoso com uma sentença sádica?
Um ninguém insignificante?
Cadê?
Cadê eu?
Aonde me cabe estar?
Não!
me dás mentiras?
que te fazem ser um menos pior?
Ou nas mentiras que si esconde numa linda mascara de indiferença?
Hoje, mais do que nunca,
hoje me pergunto sobre o doce cheiro do perfume daquela menina,
ou de um olhar que me gelou a espinha e esquentou o meu sangue.
assusta-me a felicidade dos incautos, ou a grosseria dos dominadores
que só dominam pela mentira, sedução e luxuria.
Olho,
o caminho,
não há raiva, não me cabe ódio, antes odiasse,
pois seria cego
cabe-me a sentença de tudo ver,
e me assustar,
matando-me a cada dia aceitando a loucura de vcs e a locura que vcs constroem,
num monte de mentira
fezes de papel
cadáveres que demorarão anos a apodrecer sobre meu sol renegado.
Hoje,
caminho nas sombras dos mortos,
na cidades dos medos,
na história dos fracos,
no olhar do infinito,
meu quarto é imenso,
pois o vazio esta na alma