quarta-feira, outubro 15, 2008

Escrevo por que não quero conversar com vcs,


vcs são tão chatos,

intimamente chatos,

naquela conversinha fiada,

melhor é eu buscar outra saída.

Não posso escrever minha solidão,


mas remediala,

não quero beber,

bem, penso, melhor tomar um golinho,

talvez você ache normal,


eu prefiro a solidão 

a compartilhar a demagogia e falsidade.

Essa noite está quente,

não vejo mais TV,

ela quebrou...


quase morri de tanto beber água contaminada de mentiras,

é melhor eu beber algo

minhas palavras confundem as pernas

e meu olhar se perde, desmancha,


funde-se na noite que vai linda coberta de lua,

repleta de lua,

lua de meus amores,

perdidas no tempo.


A noite traz o veneno da fábrica

Que paira sobre os párias,

Que envenena o menino

Que mata o velinho

Que me faz detestar as vezes esse lugar


Olho o cheiro da morte,

Como impotente que sou

Não posso levantar questões


Pois os cãozinhos que me cercam

lambem as mãos 

de quem os condena a cegueira de tudo ver


o sentido da estrada que te leva vai ao contrário do meu,

vou embora para tangamandápio

ver o jaiminho, o sorriso e o beijo


deixo vc aqui com sua sina

sua cruz de reclamações, perda de tempo e egoísmo

minha mão está no bolso


já que posso te tocar nos sonhos que terei

nua, pele, olhos, boca

fundem-se

fundem-se

eu

pele

boca

olhos

pêlos

arrepio

olhos

boca

vc

nua

bunda

perna

ombro

osso

boca

eu

nu

pêlos

boca

nua

pele

pele

boca

boca

nu

nua

arrepio

sorrisos

boca

ufa!

...

CAUSOS E COISAS DO GÊNERO.