Quando era pequeno, ouvia nas minhas férias em Juiz de Fora, uma sinfonia de marretadas proporcionadas num fazer cotidiano de obras que não acabavam nunca..Aquele som unisonoro, repetitivo, seguia um compasso misterioso, de acordes quem não poderia entender...
Marretadas que reconstruiam eternamente os desejos dos homens...marretadas que punham abaixo uma outra era.Aí se foram o moderno, o eclético, o colonial, considerados ultrapassados trocados pela nova estética do feio.
Em São Paulo, São Caetano do Sul, o som que me intrigava era o oposto aos que ouvia em JF, ouvia ao longe betoneiras que roncavam o crescimento da metropole, roncos suaves e contínuos de um crescimento que me fez boquiaberto na minha ultima viagem, como tudo mudou...
Quando sai de SCS para JF, nunca imaginaria que aqueles sons se cruzariam o ronco que nunca soube o que era e as marretadas tão presentes, como poderia eu, tornar-me o senhor-do-destino de lembraças concretas, tijolos-vidas, que ao som da marreta se tornam fraguimentos, ruídos da existencia, entulho de memória, nada para amanhã ou apenas suor daqueles anonimos, automatos do fazer.
Como maestro, minha orquestra é organizada, tenho a posição certa de cada instrumento e a hora certa de cada toque... construo a composição, me perco no devaneio de saber que na marretada há o ruído de nossa era: da alienação, da loucura, da banalidade, da cacofonia, e assim vou regendo o caos e o apocalipse, a loucura e saber que as intensões já encheram o inferno, e estão superlotando a terra...
As marretadas deveriam ser defragadas contra atitudes, que me chocam, e não contra modos de vida ditos ultrapassados , mas que me mostram o caminho contra a feiura...
Nenhum comentário:
Postar um comentário