quarta-feira, junho 08, 2011

Os viajantes chegaram onde o mundo se partia: no fundo do mundo, lá onde nem o Sol batia, ainda era Noite em cima Dia. Caminharam no desfiladeiro, cegos, moribundos, crianças, subiam e desciam a rota tortuosa na beira do abismo.
-Mestre, para onde  vamos?
-Vamos em direção das sombras.-Onde a luz nunca chegou. -O Frio, a Noite e a Lua nos esperam.
-Mestre, a Lua?
-Sim a Lua, senhora das marés e das mulheres, o frio e a Noite!
Ao longe homens muito pequenos em imenso numero cobriam a terra, homens que iam e vinham através de comandos de bandeiras; num movimento harmonioso toda a terra se mexia, movimentos graciosos, mas que escondia por baixo milhares de homens que morriam constantemente de apenas dançarem ao sabor das bandeiras.
-Mestre que são esses?
-São homens do Leste, que nunca pensaram, pois seus pais pensaram por eles e resolveram deixar que outros pensassem por todos e  assim podiam comer, mas não havia escolha por serem muitos resolveram escolher a dança mais bonita para se dedicarem, por fim todos dançavam, poucos balançavam as bandeiras e apenas um decidiu viver. Deixando todos a bailar com a morte.
- Vamos embora pois eles são autoritários e acham que com eles está o conhecimento ou verdades!

os moribundos

-Mestre, de onde vem o conhecimento? Ele cabe nos livros?
-Os maiores ensinamentos são aqueles que nos deixam melhores, melhor com prazer, pior com dor.-As histórias cabem nos livros, teorias, números e geometrias -As vidas são escritas na alma.- Conhecimento sem sabedoria é teoria, sabedoria sem conhecimento é história, conhecimento e sabedoria dão bons livros.
-Mestre, não entendi!
- Ora, não busque fora uma resposta que só o seu eu  pode  responder. -Onde pode ser buscada uma palavra nova a não ser na boca de um homem? Ou a livros já sabem do que virá? Ou te ensinam a decidir o que poderá lhe transtornar amanhã? São respostas, descobertas, a serem buscadas nas estradas da mente.No convívio e observação, na vida, no viver.
De longe um grupo de leprosos gemiam praguejando os viajantes:
-Malditos, venham ver do que o homem é feito!-Fui Rei, comandei exércitos,   tive tudo! hoje não posso nem andar sozinho me arrasto no chão!
O grupo correu em direção aos viajantes que escalaram uma pedra e se viram cercados
-Desçam e venham morrer conosco
-Eu conheci a todos! Naqueles dias, felizes, gozavam do dinheiro, desfilavam gordos, me olhavam com desprezo, achavam minhas idéias estranhas e o tempo passou e hoje vejo daqui suas entranhas?- Por um acaso, esse mal surgiu a todos de uma só vez? 
O antigo rei começou:
-O mal da montanha sobre a cidade uma vez veio, uma névoa, durante três dias ninguém se via ou via nada, ao final todos dormiram ao despertar na medida que as pessoas se banhavam, bebiam as águas, comiam, as dores começavam e passavam, rezamos aos deuses, em vão. A 7 anos bárbaros queimaram a cidade e viemos parar aqui!
Então o Mestre começou a descer e segurou na mão disforme, raspe essa pedra e beba com água. O que tens sumira em breve. Todos os doentes vieram em direção questionando a eficácia.
- Antigo povo bebam da água do Rei e todos viverão!
A turbe logo começou a separar-se, aos poucos nobres, plebeus, altos funcionários de uma dinastia e de outra surgiam ao gritos em meio a discursos, árvores genealógicas da multidão de moribundos
Os viajantes seguiram em meio ao tumulto e numa distância segura o aprendiz perplexo perguntou:
-Mestre, como sabia dos males dos homens?
- Esses homens guiaram suas vidas na cobiça, destruindo tudo e todos no caminho do poder e da glória, e sabendo dos riscos, envenenaram suas águas matando os peixes, o ar matando as aves e pior de tudo: envenenaram a si mesmos. -Por fim ficaram como chegaram, sem nada.-Eles precisam beber da esperança, em crer no que já não mais acreditam.- A morte assim parecerá mais doce .-O que eu fiz resolveu o nosso problema.

...

CAUSOS E COISAS DO GÊNERO.