-É aqui! Disse o Rei ao arquiteto, desenhando na areia as proporções divinas. O trabalho seria imenso e toda a terra teria que colaborar para o novo templo.
Os viajantes assistiam a comitiva Real e buscaram o Rei para uma Audiência.
- Oh! Rei dos Reis, Senhor do Norte e do Sul, que governa o ocidente e o oriente, viemos das terras desoladas e encontramos o nome do Indizível ΙΑΩ em meio as ruínas de um antigo templo. A tábua está perdida, mas aqui está a folha de ouro.
O Rei desconfiado mandou chamar seu taumaturgo real.
-Oh! grandessíssimo senhor! Eu sou o Taumaturgo Real, Quiromante, Mestre Construtor , Escriba, Sumo-sacerdote do templo! Nunca vi algo semelhante, sem o selo real, é uma farsa!
Nisso a estranha figura jogou sua capa-preta sobre os viajantes, tomando para si a folha de ouro. Os viajantes ultrajados saíram para fora da cidade murada, subiram no monte e sentaram embaixo da arvore do mestre morto.
-Mestre, como aquele homúnculo teve a audácia de tomar o nome?
-Na terra há varios seres que devemos aprender a conviver e ver até onde podem chegar! Aquele farsante se esconde atrás do Rei, edita, inventa, restringe o que quer, ao seu bel prazer, posso dizer que aquele escriba reina mais que o Rei.
-Mestre, não há nada que possamos fazer?
- O Rei está velho, seus dias contados, o Templo será sua grande obra a humanidade, nos trouxemos a ele o que o melhor que nós poderíamos contribuir. Nosso trabalho já está feito.
-Mestre e aquele ser?
-Nada.
-Mestre, Nada?
-Nada!
-Ele não é nada, suas ações serão apagadas, como a areia que ao vento se move ora para um lado ora para o outro. Uma duna nunca está no mesmo lugar. Pode destruir, pode matar, criar pandemônios, mas não mudará o caminho da vida, o circulo solar ou o tempo do dia. Nada ele representa, sua imagem é só para e apenas a si mesmo.
-Mestre ele esta com o Nome em suas mãos!
-Sim, ele está, mas não saberá interpretar o real significado do fato, ele só quer aparecer, ser recebido com as pompas e as circunstâncias, ser o primeiro a falar e brindar, tudo vaidade, é um menino mimado com um brinquedo novo, brinquedo sério.
Na corte Real todos perguntavam ao Quiromante sobre a folha de ouro dos viajantes e ele criava a cada pergunta uma estória até que a rainha dos reinos do sul resolveu ir a corte. Os preparativos foram grandes e os festejos colocaram todos no serviço do evento, todos os Reis Magos e toda a gente da terra foram na recepção da Nobre visita. O Rei recebeu a Rainha sobre as bases do Grande Templo e resolveu dar de presente a folha de ouro dos viajantes. A comitiva foi recebida com grande festa e o Rei ao levantar a folha e mostrar a todos teve uma grande surpresa.
-Oh! Amado Rei que queres de nós?
- Por que profanas a ti mesmo, estando sujo, ao elevar sobre ti algo tão puro? O Rei assustado disse:
- Que se passa? Meu Taumaturgo Real, Quiromante, Mestre Construtor e Escriba, disse que isso é apenas um adereço sem real serventia!?
- Oh nobre Rei estás enganado, disse a Rainha. Isso é o nome do Indizível Deus ser uno e supremo, criador de tudo e de todos, é na terra algo deveras magnífico e deve ser tratado com muito respeito!
Os sacerdotes da Rainha reverenciaram a folha e colocaram numa arca nova e a santíssima. O taumaturgo tentou fugir e foi aprisionado pelo Rei.
- Como pôde? como pôde me enganar todos esses anos? Por detrás dessa imagem de homem fiel as leis, conhecedor dos meandros dos homens, da arte de edificar, de tudo o senhor em tudo é uma farsa. Me escondeu que nada sabia sobre tanta coisa com colóquios intermináveis de cousa alguma! Volte a apascentar camelos nos infernos!
- Guardas esquartejem este traste!
Os viajantes foram a cidade ouvir o profeta, que mostrava a iniquidade dos homens, e no edito do meio-dia viram a fúria do Rei em ação, numa ordem, para os quatros cantos do mundo, correram oito veloses garanhões com as partes do homúnculo real.
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