domingo, novembro 07, 2010

o forasteiro e o bom homem

Certa vez, num antigo povoado, vivia um bom homem, pai amoroso, membro presente e ativo na comunidade, era referencia a todos sendo quase um juiz em alguma querela que surgia.
O inverno tinha sido rigoroso, ninguém ia ou vinha da aldeia, as fortes chuvas praticamente transformaram as estradas em lamaçais. Durante uma forte tempestade surgiu um homem, cambaleante.
A chuva caia sem cessar, e o homem apenas via a luz de algo parecido com uma estalagem, bateu na porta, nada, ninguém o atendeu, seguiu e continuando a caminhada encontrou um estábulo e lá despiu-se das vestes ensopadas e deitou entre o capim para um merecido descanso.
Pela manhã, a chuva havia cessado e dois garotos que perseguiam  um perdiz entraram no estábulo e encontraram o homem nu deitado, sobre este  roupas diferentes que secavam, uma bolsa com ferramentas, e o que despertou-lhes a cobiça : um pequeno saco de pedras preciosas, não pensando nas conseqüências, roubaram tudo deixando apenas para o homem seus trajes sumários.
O Superior da cidade convocou os principais para irem pelas as estradas verificando o seu estado e a possibilidade de irem a outros cantos da província. Mandou o guarda-mor selar os cavalos e este  encontrou o forasteiro dormindo, o acordou aos chutes, e logo o levou a presença do Superior. Este logo interrogou a origem, o que fazia e quem ele era. Como o homem fora roubado, nada podia provar o que dizia e qual era suas intenções. Explicou que que ia a um reino distante construir um templo ao maior rei que já existira.
Todos riram-se e colocaram o homem no tronco de suplícios, em praça pública era escarnecido e mal-tratado pelas crianças, loucos e bêbados que passavam.
Os garotos viram aquele homem agora prisioneiro e temeram o que poderia acontecer já que sabiam quem ele era, como não sabiam ler nada entediam dos pergaminhos, dos desenhos, daqueles símbolos onde via o poder do Rei .Resolveram esconder  as coisas do forasteiro num antigo vaso de vinho, no estábulo do bom homem.
Os Principais  voltaram e relataram que as chuvas praticamente destruíram as estradas, em meio a  lama, encontraram uma égua morta, marcada com o símbolo do rei e começaram a temer que o que aquele homem dizia fosse verdade, talvez tivessem prendido um inocente, levaram o pedaço do couro do animal ao Superior que sabendo do isolamento da vila resolveu a questão do pior jeito: Executar o forasteiro na primeira lua, daí a três dias. Sumir com a égua e queimar tudo o que restara pois talvez a aldeia inteira poderia ser destruída pelo Rei furioso pela petulância de terem colocado um nobre no tronco.
O bom homem ia uma vez por semana a aldeia adquirir víveres e viu o antigo tronco de suplícios com um forasteiro, questionou-lhe  o crime que havia praticado, o forasteiro disse apenas que estava ali por falar a verdade, que era mestre-construtor e que havia perdido seu cavalo durante a última  tempestade.  
O  bom homem era velho e sábio, conhecia, ao olhar nos olhos o que era verdade e o que era mentira e vira o engano de todos ali. Foi ao Superior interceder  contra a possível injustiça, e encontrou os Principais  e o Superior com um pedaço de couro com a insígnia real e a cela que reconhecera  da visita da corte real a aldeia no passado, falou a todos do crime que cometiam, o Superior lembrou das punições rigorosas que o Rei poderia dar a todos pela humilhação que impuseram ao protegido e que a única solução era destruir tudo o que os incriminaria.
Inconformado, mas ciente de sua impotência, voltou a sua casa. Sua mulher estava assustada com a praga de ratos, que fugiam dos campos alagados e que poderiam esconder no estábulo. O bom home resolveu então limpar e arrumar o estábulo  e para sua surpresa não encontrou ratos e sim um antigo vaso de vinho com tesouros dentro: roupas diferentes, instrumentos, ferramentas e pergaminhos; logo concluiu  que aquelas coisas só poderiam ser do forasteiro. Sabia que ele seria morto ao amanhecer e resolveu que iria ajudá-lo a escapar.
A chuva voltara de uma forma descomunal, as pessoas rezavam aos deuses e as águas varriam os campos e aldeia, enquanto isso   o forasteiro estava quase afogando em meio a lama.
O bom homem seguiu em direção a aldeia, mas o rio destruiu a única ponte, resolveu mesmo assim prosseguir e aos poucos atravessou e chegou a antiga praça que estava submersa, via apenas a cabeça  que com dificuldade ainda resistia a fúria da água, foi em direção e num golpe de machado estourou as amarras libertando.
Seguiram para a casa do bom homem que devolveu os pertences ao forasteiro, contou-lhe  que havia descoberto tudo aquilo num vaso de vinho que estava em seu estábulo.
O forasteiro perguntou das pedras e disse que poderia ficar, pois por ter salvo sua vida não existia recompensa que poderia retribuir tal ato.  O bom homem falou-lhe que nada queria, sua ação era necessária e que se estivesse na mesma situação  o outro teria feito o mesmo por ele, o forasteiro concordou e se despediram.
 E nunca mais se ouviu falar daquela aldeia que um dia  fora destruída pela fúria das águas.



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